Breadcrumb

03/09/2026
À medida que as crianças crescem e começam a fazer os seus primeiros movimentos, seja se equilibrar, engatinhar ou caminhar, aumenta ainda mais o interesse das famílias em compreender o desenvolvimento motor dos pequenos.
Entender mais sobre o assunto é importante porque as habilidades motoras fazem parte da progressão do controle voluntário sobre o corpo e a sua mobilidade, controle esse que é essencial para muitas atividades. Movimentar-se faz parte do processo de descoberta das crianças e engloba também a expressão de sentimentos, aspecto que contribui para a socialização e o desenvolvimento de habilidades cognitivas.
Assim, para sanar dúvidas e explicar quais são as fases do desenvolvimento motor e como é possível estimulá-lo, reunimos essas e outras informações sobre o assunto. Continue a leitura!
De acordo com Everton Saad, que é coordenador de Educação Física do Colégio Bom Jesus, desenvolvimento motor é o processo contínuo de alteração no comportamento motor ao longo da vida, impulsionado pela interação entre a biologia do indivíduo, as tarefas que ele realiza e o ambiente ao seu redor. Em termos simples, é como aprendemos a controlar o nosso corpo.
Durante a Educação Infantil, que vai de menos de um ano até cinco anos de idade, as experiências motoras favorecem o desenvolvimento das funções executivas (responsáveis pelo controle de pensamentos, emoções e comportamentos para atingir objetivos e resolver problemas), da memória, da percepção, da criatividade e das aprendizagens.
Assim, o brincar associado ao movimento estimula de forma integral diversas áreas do conhecimento. A criança que se movimenta apresenta mais facilidade para:
Segundo David L. Gallahue, pesquisador e escritor norte-americano, reconhecido mundialmente como um dos maiores especialistas em desenvolvimento motor infantil, as fases do desenvolvimento motor são:
Os princípios básicos do desenvolvimento motor, também chamados de leis da direção do desenvolvimento, foram formulados pelo psicólogo e pediatra americano Arnold Gesell e ajudam a explicar como cada movimento aprendido contribui para a aquisição de novas habilidades durante o desenvolvimento infantil, sendo eles:
Antes de entender a diferença entre a coordenação motora fina e a coordenação motora grossa, é necessário contextualizar o que é a coordenação motora em si. Ela é a capacidade de realizar movimentos de forma controlada e é dividida em dois tipos principais:
As habilidades motoras fundamentais são os movimentos básicos de construção do corpo humano. Elas se desenvolvem principalmente entre os 2 e 7 anos de idade e servem como base para qualquer modalidade esportiva ou atividade física na vida adulta. Essas habilidades são divididas em 3 grupos:
- Habilidades de locomoção: andar, correr, saltar etc.;
- Habilidades de manipulação: agarrar, pegar, arremessar, chutar, quicar, rebater etc.;
- Habilidades estabilizadoras: equilíbrio estático e dinâmico, girar, inclinar, rolar.
Os ambientes que as crianças frequentam podem ser ou aliados ou limitadores no que diz respeito às habilidades motoras.
Por exemplo, as crianças que têm a oportunidade de frequentar um espaço seguro para correr, subir em árvores, pular, manusear objetos variados, participar de brincadeiras desenvolvem coordenação motora mais rápido do que aquelas restritas a espaços e ao uso de telas excessivas.
Simone Ramme, coordenadora da Educação Infantil do Colégio Bom Jesus, explica que nas unidades do Bom Jesus o ambiente é considerado um elemento educador e há inúmeras propostas desenvolvidas em ambientes diferenciados, além da sala de referência, incluindo os naturais. “É por meio das brincadeiras livres e dirigidas, como pular amarelinha, jogar bola, esconde-esconde, circuitos motores ou até mesmo rasgar papéis, realizar alinhavos, modelagem com argila e com massinha que a criança consegue explorar os limites do próprio corpo. Afinal, brincar é a forma mais natural de desafiar e desenvolver o equilíbrio, a noção espacial, a precisão dos movimentos e ampliar as relações interpessoais”, conta.
Simone destaca ainda a participação da família nessa jornada. “No processo do desenvolvimento motor, a parceria da família faz toda a diferença, aproveitando as oportunidades e respeitando a faixa etária e a individualidade de cada criança. Os incentivos e o carinho encorajam os pequenos a explorarem o mundo com mais segurança, desenvolvendo a autonomia de forma leve e no seu próprio tempo”.
É importante lembrar também que esse processo começa desde o berço. Segundo Simone, com os bebês o brincar acontece nas pequenas interações, no momento de trocar a fralda, no ato de tentar alcançar um brinquedo colorido, brincar com os pés, tentar rolar no tapete, colocar as mãos na boca, tentar bater palmas, manipular objetos, entre outros. São esses primeiros movimentos que fortalecem a musculatura, estimulam os sentidos e vão ampliar outras habilidades motoras correspondentes à sua faixa etária.
Valorizar o livre movimento dos bebês é um dos princípios fundamentais defendidos por Emmi Pikler, pediatra húngara que criou teorias sobre educação infantil, e Elinor Goldschmied, educadora britânica reconhecida por suas contribuições à educação infantil e ao desenvolvimento dos bebês.
Esse ponto de vista incentiva as iniciativas autônomas da criança, respeitando o ritmo individual de desenvolvimento. Ou seja, evitando estimulações precoces ou antecipações invasivas, respeitando o ritmo e a capacidade próprias de cada criança; ofertando vínculo afetivo e segurança para que tenham a oportunidade de mover-se por iniciativa própria, vontade e competência, para que conquiste, com qualidade, as etapas do desenvolvimento motor e, por sua vez, sua autonomia (Soares, 2020).
No segmento da Educação Infantil, o desenvolvimento motor integra os aspectos cognitivos, emocionais e sociais. É por esse motivo que garantir tempo, espaço rico, mediação afetuosa e segura nessa fase significa também permitir que a criança se reconheça capaz, autônoma e confiante no próprio corpo para explorar e descobrir.
Dessa forma, os professores planejam com intencionalidade e oferecem desafios variados e encorajam a exploração nos diferentes espaços da escola; de diferentes superfícies, texturas e materiais. Assim, a criança é convidada a sentir, descobrir e experimentar as possibilidades do próprio corpo, refinando sua coordenação motora global e o esquema corporal. Os deslocamentos e a exploração pelos diferentes ambientes da escola são fundamentais e incluem experiências ricas e progressivas como: engatinhar/rastejar, pular/correr, saltar/escalar, arremessar/lançar.
Simone Ramme reforça que “é importante reconhecer o movimento como uma forma de expressão, como uma linguagem, como uma forma de interação e de construção sobre o próprio corpo e sobre o ambiente. Essa concepção reforça a ideia do ambiente como um elemento educador, pois este é planejado de forma a convidar e a provocar explorações e descobertas, a incentivar o livre movimento, a interação e a autonomia”.
No contexto do Colégio Bom Jesus, o pedagógico está integrado à arquitetura, que busca ofertar ambientes com topografia variada, espaços multissensoriais e tridimensionais, bem como a integração entre a sala de referência e outros ambientes. Além disso, são feitos investimentos no brincar heurístico, no uso de materiais não estruturados que convidam a criança a criar e a explorar desafios motores.
A modelagem com argila ou mesmo com massinhas, o grafismo em suportes variados e com diferentes recursos ou ferramentas de grafismo, as construções tridimensionais com elementos naturais também são exemplos de propostas que contribuem para o desenvolvimento motor.
O coordenador de Educação Física do Colégio Bom Jesus, Everton Saad, entende que a observação da criança em momentos espontâneos é fundamental para perceber suas potencialidades e/ou limitações, bem como suas preferências.
“O importante é saber que cada criança tem seu tempo de desenvolvimento, e que se devem evitar comparações com outras crianças. Mas é necessário perceber e observar como são os movimentos amplos e precisos, se a criança tem uma boa coordenação motora, equilíbrio, controle de tônus muscular, comunicação e interação com outras crianças, tanto para verificar quais aspectos a criança precisa estimular mais quanto para observar situações que possam exigir uma avaliação e/ou acompanhamento profissional”.
Por mais que o desenvolvimento motor seja muito estudado por pesquisadores e profissionais atuantes da área da educação, existem muitos conceitos equivocados que podem prejudicar a compreensão sobre o tema. Separamos abaixo alguns mitos reproduzidos de forma equivoca:
- Brincar é apenas uma diversão;
- A criança vai desenvolver suas habilidades motoras naturalmente, ou seja, sozinha;
- Desenvolvimento motor é apenas correr, andar e pular;
O motor é separado do desenvolvimento cognitivo;
- Toda criança se desenvolve no mesmo tempo;
- Quanto mais cedo o bebê engatinhar e andar é melhor;
- O andador ajuda o bebê a andar;
- A escrita só se desenvolve com a criança sentada e concentrada;
- O desenho pronto para colorir desenvolve a coordenação motora.
Como você pode perceber com a leitura deste conteúdo, o desenvolvimento do motor se relaciona com o ambiente e com as interações que os professores podem criar com atividades nesses espaços, além da participação da família no processo.
Diante disso, matricular o seu filho em uma instituição de ensino que entende que a arquitetura da escola deve dialogar com a parte pedagógica é uma das maneiras possíveis de estimular essas habilidades tão essenciais.
E é isso que acontece nas unidades do Colégio Bom Jesus, que também contam com a abordagem metodológica única que é a Amorografia: a soma da educação de excelência com a formação socioemocional e os valores franciscanos. Estamos presentes em cinco estados brasileiros. Agende a sua visita para nos conhecer melhor!
Não foi possível carregar as informações. Por favor, tente mais tarde.