
01/07/2026
No dia a dia da escola, garantir que os alunos se desenvolvam de forma saudável e segura é uma prioridade absoluta. Entre os desafios da convivência escolar, a intimidação sistemática – popularmente chamada de bullying – é um tema complexo que exige atenção de todos.
Para os pais e responsáveis, é fundamental saber identificar se o seu filho está sendo alvo ou praticando bullying, pois a intervenção precoce faz toda a diferença. Ao longo deste texto, vamos abordar os principais sinais de alerta que ajudam a reconhecer essas situações, além de explicar o que a lei diz sobre o assunto.
O nosso objetivo é esclarecer o conceito de bullying de forma simples, mostrando como a parceria entre a família e a escola é essencial para construir um ambiente seguro e acolhedor.
O bullying na escola é uma forma grave de agressão física ou psicológica, intencional e repetitiva, praticada sem motivação evidente em uma relação desigual de poder.
Muitas vezes, usamos a palavra bullying para qualquer briga ou discussão na escola. Contudo, para a psicologia e para a lei, o fenômeno tem características bem específicas.
O Programa de Prevenção ao Bullying do Grupo Educacional Bom Jesus baseia-se na definição da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência (Abrapia). Além disso, a Lei Federal n. 13.185/2015 define claramente o que é a intimidação sistemática:
“Considera-se intimidação sistemática (bullying) todo ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo que ocorre sem motivação evidente, praticado por indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas”.
Para que uma situação seja classificada como bullying, três elementos precisam acontecer juntos:
Segundo o Dr. José Francisco Klas, pediatra e coordenador do Departamento de Saúde Escolar (DSE), é fundamental diferenciar o bullying de outros conflitos pontuais do dia a dia. O especialista reforça que a intimidação sistemática é muito mais danosa justamente porque anula a capacidade de defesa do aluno, fazendo com que ele se sinta impotente até mesmo para pedir ajuda e romper esse ciclo de sofrimento.
Para evitar rótulos que marquem negativamente as crianças e os adolescentes, a literatura especializada evita os termos agressor e vítima. Em vez disso, utilizamos autor e alvo. Também olhamos com atenção para o espectador (ou testemunha), ou seja, aquele aluno que presencia ou convive em um ambiente onde a situação ocorre e, muitas vezes, acaba incentivando (rindo, compartilhando) ou se silenciando por medo de ser o próximo alvo.
Compreender as diferentes formas de agressão é o primeiro passo para identificar as consequências emocionais do problema, que muitas vezes começam de maneira silenciosa na rotina do aluno. É importante saber que o bullying pode se manifestar de diferentes maneiras no cotidiano dos estudantes. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) classifica essas agressões nas seguintes categorias:
Saber o que não é bullying ajuda a escola e as famílias a resolverem os problemas pedagógicos com a abordagem correta.
Recentemente, a Lei Federal n. 14.811/2024 incluiu a intimidação sistemática virtual (cyberbullying) diretamente no Código Penal.
Ao contrário do ambiente físico, os ataques na internet (redes sociais, grupos de mensagens e jogos on-line) causam um sofrimento ainda maior, pois as ofensas se espalham rapidamente e dão ao autor uma falsa sensação inicial de anonimato.
A lei agora prevê pena de reclusão de dois a quatro anos e multa para quem pratica o cyberbullying. Na esfera civil, os pais ou responsáveis pelos autores respondem judicialmente pelos danos causados e podem ser obrigados a pagar indenizações financeiras às famílias afetadas.
Identificar o problema cedo depende muito da nossa percepção diante de mudanças no comportamento dos jovens. Fique atento aos sinais abaixo:
Resolver e prevenir o bullying no ambiente escolar exige um esforço conjunto e alinhado entre os familiares e o colégio.
1. Acolhimento sem julgamento (se o filho for alvo): se o seu filho desabafar sobre estar sofrendo agressões, escute com calma e evite perguntas que o façam se sentir culpado (como “Por que você não se defendeu?”). Mostre que ele está seguro e valide os sentimentos dele. O apoio de profissionais de psicologia pode ser muito importante para devolver a confiança ao aluno. Segundo a Dra. Nicole Biral Klas, pediatra do DSE, diante de qualquer suspeita de bullying, a escola adota procedimentos internos para avaliar a situação e direcionar tanto o autor quanto o alvo para o acompanhamento necessário. A especialista alerta para um erro comum: “Existe o entendimento equivocado de que somente o alvo precisa de apoio. Contudo, o autor, ao intimidar um colega de forma repetida e consciente, também sinaliza que precisa de ajuda e do desenvolvimento de habilidades socioemocionais para melhorar a qualidade das suas relações”.
2. Responsabilização educativa (se o filho for autor): se for constatado que o seu filho praticou bullying, a reação da família deve ser firme em mostrar que a conduta é errada, focando no aprendizado e na mudança. A Dra. Nicole Biral Klas pondera que esse processo exige muita abertura dos pais: “Muitas vezes, a dificuldade em aceitar que o próprio filho possa estar praticando bullying acaba atrasando o acolhimento necessário, o que prolonga o sofrimento do colega e impede que o jovem receba a devida orientação para mudar seu comportamento”. A própria lei brasileira indica que o foco deve ser a transformação do comportamento e não apenas o castigo puro e simples (Art. 4.º, VIII da Lei n. 13.185/2015). O acompanhamento psicológico ajuda o jovem a entender a raiz dessa agressividade.
3. A força do exemplo: o respeito e a tolerância começam em casa. Evitar comentários preconceituosos, fofocas ou piadas depreciativas na frente de crianças ou adolescentes é fundamental, pois os filhos tendem a repetir na escola as atitudes que observam nos adultos.
O nosso colégio possui uma estrutura organizada pelo Departamento de Saúde Escolar (DSE), que trabalha ativamente no combate e na prevenção à intimidação sistemática. Desde 2009, o Colégio Bom Jesus debate o tema de forma contínua por meio do nosso Programa de Prevenção ao Bullying, que conta com aulas específicas voltadas aos alunos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental.
Além disso, o Programa de Habilidades Socioemocionais estimula a empatia, o respeito às diferenças e o protagonismo jovem. Essa formação socioemocional é um dos pilares da nossa metodologia de ensino exclusiva, a Amorografia, que une educação de excelência com a vivência de valores franciscanos práticos, formando agentes que se implicam na construção de uma sociedade mais justa, solidária e fraterna.
Caso note qualquer sinal de alerta em seu filho ou em colegas, procure a equipe pedagógica para que possamos agir juntos e proteger nossos estudantes.
Venha nos conhecer de perto para entender melhor o nosso jeito de ser, ensinar e inspirar. Agende uma visita ao nosso colégio!
Com a Lei n. 14.811/2024, as práticas de bullying e cyberbullying foram incluídas no Código Penal. Juridicamente, quando praticadas por menores de 18 anos, são tratadas como atos infracionais análogos aos crimes previstos na legislação, o que reforça a extrema gravidade dessas condutas e a necessidade de responsabilização educativa.
A diferença principal está no ambiente onde ocorrem as agressões. O bullying tradicional se dá no espaço físico e presencial (como pátios, corredores e salas de aula). Já o cyberbullying acontece no ambiente virtual (redes sociais, aplicativos de mensagens e fóruns de jogos), potencializando o alcance e o impacto psicológico da humilhação por conta da rapidez do compartilhamento.
A ajuda especializada deve ser buscada assim que forem percebidas mudanças expressivas no bem-estar, humor ou comportamento da criança ou adolescente – como isolamento, choro fácil, redução no rendimento acadêmico ou sintomas psicossomáticos recorrentes. O acompanhamento psicológico e o diálogo próximo com a equipe pedagógica da escola são essenciais para restabelecer a segurança e a saúde emocional do estudante.

