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10/09/2026
Os pais ou responsáveis desejam proteger seus filhos de dificuldades e decepções. Afinal, é natural querer evitar que crianças e adolescentes sofram. No entanto, quando a proteção se torna excessiva e todas as vontades são atendidas sem limites, uma oportunidade importante pode ser perdida: o desenvolvimento da resiliência.
Aprender a lidar com pequenas frustrações, enfrentar desafios cotidianos e encontrar formas saudáveis de superar obstáculos são experiências fundamentais para a construção da maturidade emocional. É justamente durante a infância e a adolescência que essas habilidades socioemocionais começam a se consolidar, preparando os jovens para os desafios da vida adulta.
Quando as crianças ou os adolescentes são privados dessas experiências, eles perdem a oportunidade de adquirirem habilidades fundamentais para se tornarem adultos aptos a enfrentar as adversidades da vida. Por isso, é preciso equilibrar a necessidade de proteção com o desenvolvimento de capacidades que os tornarão adultos mais preparados para a vida. Neste artigo, vamos nos aprofundar no tema resiliência e trazer formas de estimulá-la.
Resiliência é o termo usado para descrever a capacidade de o indivíduo enfrentar e superar situações estressoras (ex.: desafios, mudanças, conflitos, adversidades, perdas), retornar ao equilíbrio e transformá-las em experiências de vida, aprendendo com elas e fortalecendo-se para responder melhor às situações similares no futuro.
Em oposição à resiliência, a fragilidade é a dificuldade para reagir de forma adequada, recuperar o equilíbrio emocional e lidar com os desafios do dia a dia. Como consequência, a pessoa pode sentir-se constantemente vítima da situação ou reagir com revolta, ficando mais vulnerável a impactos emocionais temporários ou até duradouros.
Diante disso, aqueles com menor capacidade de resiliência também apresentam maior suscetibilidade a comportamentos de risco, como o consumo prejudicial de álcool, o uso de substâncias psicoativas e a autoagressão, incluindo tentativas de suicídio.
Uma curiosidade sobre o termo “resiliência”, utilizado pela psicologia para descrever esse padrão de comportamento humano, é que ele foi “emprestado” da física e representa a propriedade dos materiais de retornar à forma original após serem submetidos a um impacto ou à pressão.
Um comportamento muito comum de familiares é de satisfazer todas as vontades do filho, poupando-o até mesmo de pequenos problemas ou frustrações, além de protegê-lo de tudo (mesmo quando ele não precisa de proteção) o tempo todo (superproteção). Contudo, existe um limite entre o que é saudável e o que é prejudicial ao preparo para a vida e para o desenvolvimento emocional.
Isso acontece porque, ao serem constantemente poupados de desafios e contratempos, crianças e adolescentes deixam de vivenciar experiências importantes para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais essenciais na vida adulta. A ausência dessas competências tem sido cada vez mais associada à baixa tolerância às frustrações e à dificuldade de lidar de forma construtiva com situações estressantes do cotidiano.
Como consequência, muitos jovens e adultos podem enfrentar quadros prolongados de insatisfação com a vida e sofrimento emocional, mesmo em contextos nos quais, aparentemente, não lhes falta nada.
Por isso, é importante que a criança ou o adolescente saiba que pode contar com o apoio de pais, mães e outros familiares nos momentos difíceis, mas não para eliminar todas as adversidades que fazem parte da vida.
Desenvolver a resiliência nessas fases é fundamental para ajudar crianças e jovens a lidar de forma mais saudável com os desafios, as mudanças e as frustrações que fazem parte da vida.
Assim, é preciso compreender que o desenvolvimento da resiliência não impede que crianças e adolescentes passem por situações estressantes ou traumáticas. No entanto, ela modifica a resposta da criança ou do adolescente a esses acontecimentos, levando a desfechos mais favoráveis.
Diante de perdas, mudanças ou traumas, crianças e adolescentes resilientes tendem a enfrentar os desafios sem perder completamente o equilíbrio emocional e a qualidade de seus relacionamentos. Em vez de sentirem-se paralisados pelas dificuldades, eles conseguem atravessar esses momentos mantendo o equilíbrio emocional.
Como resultado, a resiliência contribui para a formação de jovens mais confiantes e preparados para o futuro. Eles aprendem com os próprios erros, desenvolvem relacionamentos mais saudáveis, mantêm o engajamento na vida escolar e chegam à fase adulta com uma saúde emocional mais sólida e maior capacidade de realizar seus projetos de vida.
Esses benefícios se refletem em diferentes aspectos da vida. Estudos mostram que pessoas mais resilientes costumam se adaptar com mais facilidade às diferentes situações, além de serem mais autoconfiantes e felizes.
A resiliência não é um dom ou capacidade inata do indivíduo e, por conta disso, ela precisa ser desenvolvida ao longo da infância e adolescência. Existem alguns pontos essenciais nesse processo:
Além disso, ambientes sociais bem estruturados, como boas escolas, também colaboram para esse processo. Esses espaços permitem à criança ou ao adolescente treinar o gerenciamento das emoções e a resolução de problemas, colaborando para que eles ajam com confiança progressiva diante das adversidades próprias da vida.
Com o objetivo de orientar famílias e educadores sobre a resiliência, o Dr. José Francisco Malucelli Klas, fundador do Departamento de Saúde Escolar (DSE) do Grupo Educacional Bom Jesus, desenvolveu o material “Dicas para estimular o desenvolvimento da resiliência na infância e na adolescência”, disponível no BJ Connect para os familiares de alunos matriculados. A seguir, destacamos algumas delas:
As crianças e os adolescentes precisam ser ajudados a reconhecer que problemas e
frustrações fazem parte da existência e que estes podem ser benéficos, pois nos ajudam no enfrentamento construtivo de outras situações que, inevitavelmente, surgirão e certamente serão mais complexas. Cada desafio na vida é uma oportunidade de a criança ou o adolescente aprender com os familiares as habilidades que poderão ser
usadas nos próximos desafios.
Exemplo: os familiares podem, diante de um problema vivido pelo filho, relembrar que ele já passou por situações difíceis no passado e que as superou, que virão outras dificuldades no futuro, provavelmente maiores, e que sempre haverá um familiar para apoiá-lo nesses momentos. A família também pode relatar problemas pelos quais eles passaram ou passam e que existem formas de resolvê-los.
As crianças e os adolescentes precisam ser estimulados a desenvolver as habilidades de resolver problemas, tomar decisões apropriadas e criar soluções.
Em vez de os familiares resolverem os problemas ou os conflitos de seu filho, é recomendado que ensinem as etapas para que ele consiga fazer isso, cada vez mais com menos apoio. Em relação à tomada de decisões maiores, é preciso ajudar a criança ou o adolescente a perceberem que as decisões e as ações deles podem afetar o que acontecerá na sua vida.
Exemplo: a decisão de um adolescente de começar a fumar tem grande chance de torná-lo um tabagista e enfrentar os problemas de saúde decorrentes disso.
Ainda dentro deste mesmo tema, estruturar a resolução de problemas mais complexos utilizando etapas faz com que se aborde a situação de forma mais reflexiva que impulsiva.
No Programa de Desenvolvimento de Habilidades Socioemocionais (PDHS) do Colégio Bom Jesus, em várias séries, os alunos aprendem (e os familiares podem reforçá-las em casa) as seguintes etapas para resolver problemas e tomar decisões:
1. Identificar claramente o problema.
2. Pensar em mais de uma alternativa para resolvê-lo.
3. Analisar as vantagens e as desvantagens de cada alternativa.
4. Escolher a alternativa com mais vantagens e menos desvantagens e colocá-la em prática.
5. Analisar se a alternativa resolveu o problema e, se não solucionou, reiniciar o processo.
As escolas são locais que estimulam o desenvolvimento da resiliência. O número de alunos e o tempo em que convivem faz com que surjam pequenos conflitos de ideias que precisam ser enfrentados e resolvidos. Nesse contexto, a diferença entre as pessoas precisa ser respeitada; existem metas a serem atingidas, pequenas frustrações surgem naturalmente e as regras são claras, entre outros fatores preparadores para a vida futura.
Por esse motivo, para auxiliar no desenvolvimento socioemocional de seus alunos, o Departamento de Saúde Escolar (DSE) do Colégio Bom Jesus promove o Programa de Desenvolvimento de Habilidades Socioemocionais (PDHS), no qual, entre outros, são abordados diversos tópicos relacionados à resiliência. Vale destacar que a participação da família nesse processo é fundamental.
Conheça alguns tópicos relacionados à resiliência abordados no PDHS:
Não existe uma forma concreta e objetiva de medir a resiliência, porém alguns indícios podem indicar que a criança está desenvolvendo essa habilidade:
A Amorografia é a metodologia única de ensino do Colégio Bom Jesus. Ela representa a soma de três pilares essenciais: educação de excelência, formação socioemocional e valores franciscanos. Isso quer dizer, na prática, que cada uma dessas bases é trabalhada de diferentes maneiras durante a jornada escolar.
A educação de excelência, por exemplo, se concretiza por meio da atuação do Centro de Estudos e Pesquisas (CEP). Esse setor assegura que todas as unidades mantenham um padrão de excelência no ensino. A equipe multidisciplinar, composta de mais de 150 profissionais, pesquisadores e especialistas em educação, faz com que o CEP esteja sempre à frente na busca por metodologias inovadoras para desenvolver materiais didáticos e paradidáticos próprios.
Já a formação socioemocional estimula a autonomia e a construção de relações saudáveis. Alinhado aos valores franciscanos, esse pilar faz parte da rotina dos alunos por meio de atividades práticas que ajudam a entender e lidar com as emoções. O PDHS, conduzido pelo DSE, integra o cuidado emocional e físico dos estudantes.
Por fim, os valores franciscanos inspiram os alunos a praticar a empatia, a solidariedade e o respeito ao próximo, seguindo os ensinamentos de São Francisco de Assis. Esse compromisso se concretiza em iniciativas como o Bom Jesus Social, que promove ações de inclusão e transformação social junto a comunidades vulneráveis, e o Projeto Virtudes e Atitudes, que fortalece as virtudes franciscanas e a responsabilidade social.
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