ÁREA RESTRITA: BJ CONNECT
 

Novidades

11.12.2018

Práticas para formar adultos com garra

Compartilhe esta notícia:   
Práticas para formar adultos com garra

O filósofo Zygmunt Bauman, ao falar sobre as relações e o tempo que vivemos, aponta que a sociedade não pensa no longo e médio prazo, tem dificuldade em traduzir seus desejos em projetos de média ou longa duração, fazendo com que as próprias pessoas desregulamentem e desordenem tudo a seu redor. Diante da constatação, a perseverança se torna uma habilidade fundamental. Você sabia que é possível trabalhar e formar pessoas perseverantes? De acordo com Leandro dos Santos Amorim, coordenador de Filosofia do Ensino Médio do Colégio Bom Jesus, a perseverança pressupõe a criatividade, ou ainda, maneiras diferentes de tentar fazer algo que não nos frustre ou condicione.

Ao partir dessa perspectiva, não há receitas prontas sobre como desenvolver na plenitude a perseverança de cada um dos alunos. Mas existem algumas estratégias que podem direcionar a um estímulo mais profundo. “A criatividade pode ser o início desse itinerário. E a escola pode fazer uso de meios, como o próprio estímulo às artes, o contato com a natureza e fazendo com que cada aluno passe a acreditar mais em si e em suas potencialidades”, conta Amorim.

Em casa, os pais se tornam importantes nesse processo quando ajudam seus filhos a observar o mundo. As experiências deles, associadas com o ambiente em que vivem, vão sendo, de alguma forma, "catalogadas" na mente, dando origem a uma linguagem que permite expressar de maneira simples o seu entorno. A ideia de que a criança e o jovem não estão em uma redoma de vidro, também faz toda a diferença. “Vivemos em constantes processos de superação e o entendimento de que a vida é uma junção de sucessos e fracassos, princípios e fins; de que é cíclica, pode criar em nossos jovens os anticorpos necessários para saber administrar alguma possível frustração”, lembra o coordenador, que aponta algumas orientações para formar jovens e adultos perseverantes:

Foque no mundo real: Devemos sempre viver no mundo real, sendo o máximo possível perseverantes no hoje, pois o amanhã é incerto. “Essa ideia desenvolvida por Shakespeare em seu breve e concreto ‘O Menestrel’, mostra que a perseverança deve ser criativa, real, humana e demasiadamente repleta de tentativas diferenciadas”, avalia Amorim.

Respeite sua realidade: Não há receitas, sugestões ou conselhos sábios, mas apenas a aceitação de processos cíclicos, que mostram que "viver é melhor que sonhar", como diria a canção. Então viva com responsabilidade, coerência e, principalmente, muita crença naquilo que de fato almeja.

Tenha garra: Quanto mais descortinamos a vida, mais nos descobrimos e nos reinventamos, tornando-nos adultos mais decididos e abertos à diversidade do mundo, maduros sem a rabugice de uma experiência cansativa e cheia de rotinas vazias. É importante ter consciência de que o caminho do meio entre o que eu almejo e o que eu posso é sempre a melhor opção. Assim é possível entender o "chegar longe" como viver intensamente cada momento oferecido pela vida e pelas experiências que passamos.

Acredite: "Quem acredita sempre alcança", já dizia Renato Russo. A perspectiva de "longe" ou "perto" é muito relativa, pois mudamos a cada momento. Assim como um GPS, mudamos rotas, descobrimos caminhos novos. De forma geral, quem é perseverante sempre chega a algum lugar, seja ele longe ou perto.

Esse conteúdo foi publicado no Guia dos pais, do G1 Paraná.