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23/10/2026
Para o franciscanismo, o conceito de Casa Comum é toda a Criação de Deus. Ou seja, o planeta, os seres humanos, os animais, as plantas e os demais elementos da natureza formam uma única fraternidade interligada.
É por esse motivo que estimular as crianças, desde pequenas, a cuidar da natureza, dos animais e do meio ambiente é também incentivar a responsabilidade com o futuro e o reconhecimento de que todas as formas de vida merecem respeito e cuidado.
Esse aprendizado também contribui para o desenvolvimento da empatia e do senso de coletividade, já que o cuidado com a Casa Comum também se expressa na forma como as pessoas se relacionam. A consciência para zelar pelo mundo em que vivemos envolve a preservação dos recursos naturais, mas também inclui atitudes de respeito, solidariedade e atenção ao próximo.
Neste conteúdo, vamos nos aprofundar no conceito sobre o que significa Casa Comum e como o cuidado com ela pode ser estimulado.
Para a tradição cristã e franciscana, a Casa Comum é o mundo que compartilhamos: a Terra, as pessoas, os animais, as plantas e todos os elementos que tornam a vida possível.
Esse conceito parte da compreensão de que tudo está conectado e de que o bem-estar humano depende de relações equilibradas com a natureza e com os outros.
Por isso, cuidar da Casa Comum é mais do que preservar o meio ambiente. Esse cuidado significa cultivar atitudes de responsabilidade, respeito, solidariedade e convivência, reconhecendo que as escolhas de cada um impactam a coletividade.
Nesse contexto, na espiritualidade inspirada por São Francisco de Assis, a criação é vista como uma grande fraternidade, na qual cada ser possui valor próprio e merece cuidado.
Partindo do princípio de que a Casa Comum é o lugar onde vivemos, o cuidado com o Planeta Terra e tudo o que faz parte dele convoca a responsabilidade que temos sobre o uso dos recursos e sobre os impactos que nossas escolhas geram. Isso significa compreender que ações corriqueiras, que passam pelo consumo consciente e o combate ao desperdício, contribuem para a construção de um futuro melhor.
A Carta Encíclica Laudato Si’, escrita pelo Papa Francisco em 24 de maio de 2015, por exemplo, convida a humanidade a refletir sobre a relação entre as pessoas, a natureza e Deus. Com inspiração no Cântico das Criaturas de São Francisco de Assis, a encíclica apresenta o conceito de Casa Comum, que é “a nossa irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa”.
Papa Francisco destacou que “esta irmã clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos a pensar que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la”.
A Casa Comum é a terra, os animais, as plantas e tudo que nos cerca, incluindo nós, seres humanos. É por conta disso que prezar por boas relações e praticar a solidariedade com o próximo também faz parte da missão de cuidado com a Casa Comum.
Afinal, ninguém vive isolado. Todos, de alguma maneira, compartilhamos os mesmos espaços, recursos e responsabilidades. Ao proteger a natureza, preservamos também as condições necessárias para que as pessoas possam viver com saúde e segurança.
É importante lembrar, no entanto, que esse compromisso tão importante não depende apenas de ações individuais. Famílias, escolas, comunidades religiosas, poder público e sociedade têm o mesmo compromisso de promover uma cultura que valorize a vida e reconheça a Casa Comum como um dom confiado por Deus a toda a humanidade.
Portanto, cuidar de si, do próximo e da criação não são atitudes separadas, mas expressões de uma mesma responsabilidade que é proteger aquilo que sustenta a existência de todos.
O protagonismo das crianças nas suas escolhas e o entendimento do papel delas pode estimular ações concretas de cuidado com a Casa Comum. Mas isso precisa ser estimulado, pois não é um comportamento inato. Ele precisa fazer parte da rotina das crianças e dos jovens, com exemplos e a compreensão da importância de cada atitude no cuidado com o próximo, com a natureza e com os recursos que utilizamos diariamente.
Quando aprendem desde cedo que suas ações têm impacto no mundo ao seu redor, elas passam a desenvolver um senso maior de responsabilidade.
Danilo Augusto Carneiro, que é coordenador de Lição de Vida e professor de Lição de Vida e Sociologia no Ensino Médio do Colégio Bom Jesus, explica que com as crianças esse processo pode começar por atividades simples e concretas.
“Plantar e cuidar de uma horta, observar o desenvolvimento de uma planta, realizar
atividades de compostagem ou participar de ações de preservação são experiências
que ajudam a desenvolver uma relação de proximidade com a natureza”.
No que se refere aos jovens, é possível ampliar a reflexão para temas como consumo consciente, produção e descarte de resíduos, mudanças climáticas, desperdício de alimentos, preservação dos recursos naturais e desigualdade social. “Dessa forma, eles podem compreender que as questões ambientais não estão isoladas das questões econômicas e sociais”, explica.
Outro aspecto fundamental é proporcionar o contato direto com a natureza, destaca Danilo.
“É difícil desenvolver cuidado por aquilo que não conhecemos. Quando crianças e jovens
vivenciam ambientes naturais e participam de ações de preservação, passam a
compreender de maneira mais concreta a importância de proteger esses espaços”.
“Um exemplo é o Beach Clean UP, do Colégio Bom Jesus, que pode ser utilizado como uma importante ferramenta de educação ambiental. A atividade de limpeza de praias permite que os estudantes observem diretamente a quantidade e os tipos de resíduos presentes nesses ambientes e reflitam sobre sua origem, seu descarte e seus impactos.
Mais do que retirar o lixo de uma praia, uma iniciativa como essa possibilita trabalhar
conceitos de responsabilidade, consumo consciente, cidadania e preservação
ambiental. O estudante deixa de ser apenas receptor de informações e passa a
participar de uma ação concreta de transformação do ambiente.
Também é importante lembrar que a educação para a Casa Comum depende do
exemplo dos adultos. “Crianças e jovens aprendem não apenas aquilo que ensinamos,
mas também aquilo que observam em nosso comportamento. Por isso, o cuidado
precisa estar presente nas práticas cotidianas da escola, da família e da comunidade”.
A escola possui um papel fundamental na formação de cidadãos conscientes de sua
responsabilidade individual e coletiva diante dos desafios ambientais e sociais.
Danilo explica que, no contexto do Colégio Bom Jesus, o cuidado com a Casa Comum pode ser trabalhado de maneira interdisciplinar, não ficando restrito a uma única área do conhecimento:
Além do conteúdo curricular, a escola deve proporcionar experiências práticas.
Projetos de hortas escolares, compostagem, coleta seletiva, redução do desperdício,
recuperação de espaços verdes e ações de limpeza e preservação ambiental são
exemplos de iniciativas que permitem aos estudantes compreender que o cuidado
com o planeta também depende de suas próprias escolhas.
“Educar para o cuidado com a Casa Comum é, em última análise, educar para uma nova
forma de relação com o mundo. É ajudar crianças e jovens a compreender que o
planeta não é apenas um lugar onde vivemos, mas uma casa que compartilhamos e
pela qual todos somos responsáveis”, conta Danilo.
Nesse sentido, a educação para a Casa Comum não deve ensinar apenas “como
preservar a natureza”, mas também ajudar cada estudante a desenvolver uma
pergunta fundamental: “O que posso fazer, a partir das minhas escolhas e das minhas
atitudes, para cuidar da casa que compartilhamos?”
A Carta Encíclica Laudato Si’ relembra que “todos podemos colaborar, como instrumentos de Deus, no cuidado da criação, cada um a partir da sua cultura, experiência, iniciativas e capacidades”.
De forma prática, esses comportamentos voltados ao cuidado são construídos por meio de pequenas atitudes incorporadas ao dia a dia. Citamos algumas a seguir:
Os alimentos e as roupas têm diferentes origens. Muito do que é consumido e adquirido não é produzido no Brasil, já que os produtos são exportados para, então, chegar às casas ou às prateleiras dos supermercados. Nesse sentido, buscar entender melhor sobre a origem é uma forma de construir uma cultura de cuidado com a Casa Comum, pois as condições de trabalho em que produtos são fabricados, os impactos gerados durante sua produção e o uso dos recursos naturais fazem parte da história de cada item que consumimos.
A todo momento, seja pelas redes sociais ou até mesmo pelo convívio em outros espaços, as crianças e os jovens são impactados por novos lançamentos, produtos e marcas que criam o desejo de consumo. É claro que é inevitável esse tipo de contato, mas os pais podem estimular uma reflexão mais aprofundada sobre o tema. Antes de comprar um novo celular, roupa ou tênis, por exemplo, um diálogo pode ser criado sobre essa futura compra. Refletir sobre os motivos que levam à vontade de adquirir um produto, para além das influências da moda ou das tendências do momento, contribui para que futuras compras sejam feitas de forma mais consciente e racional.
O cuidado com a Casa Comum também passa pela forma como nos relacionamos com outras pessoas, como já explicamos antes. Por esse motivo, participar de projetos sociais, ações voluntárias e iniciativas ligadas à preservação ambiental pode ajudar crianças e jovens a compreenderem, na prática, que suas escolhas têm influência na vida em comunidade. Além disso, essas experiências favorecem o desenvolvimento da empatia, da solidariedade e do senso de responsabilidade pelo bem comum.
No Colégio Bom Jesus, a proposta educativa tem a pastoralidade como um princípio que atravessa toda a experiência escolar, conectando espiritualidade, cultura e vida no dia a dia dos alunos. Essa identidade se concretiza por meio do Bom Jesus Social, que, desde 2016, desenvolve ações voltadas à solidariedade, à formação humana e à sustentabilidade.
Reconhecendo a importância da formação socioemocional, o Departamento de Saúde Escolar (DSE) do Colégio Bom Jesus se destaca como pioneiro na abordagem dessas habilidades nas escolas, tendo iniciado essa prática em 2012, por meio do Programa de Desenvolvimento de Habilidades Socioemocionais (PDHS).
O objetivo do programa é ensinar recursos práticos e treinar habilidades para melhorar a qualidade dos relacionamentos, promover a saúde emocional, prevenir o bullying e cyberbullying, reduzir comportamentos agressivos, risco de consumo de nicotina, de álcool e outras drogas, entre outros, o que influencia no cuidado com o outro.
Mayara Caroline da Silva, que faz parte da Coordenação de Ensino Religioso do Colégio Bom Jesus, explica que o papel da escola no cultivo do cuidado com a Casa Comum consiste em promover uma formação integral e contínua da Educação Infantil ao Ensino Médio, unindo a teoria acadêmica à vivência prática e diária das virtudes franciscanas.
“A escola desempenha esse papel ao integrar as virtudes franciscanas na rotina escolar, buscando incentivar os alunos a colocarem em prática no cotidiano valores como simplicidade, fraternidade, solidariedade, respeito à criação e responsabilidade social”, afirma.
Além disso, possibilita a articulação de materiais como o Compêndio Franciscanamente para conectar diferentes iniciativas contínuas ao longo do ano, tais como o Projeto Virtudes e Atitudes, a Campanha da Fraternidade, o Tempo Franciscano e a Rede PEA-UNESCO.
Portanto, o cuidado com a Casa Comum reúne uma série de iniciativas que podem fazer parte da rotina das crianças, seja no ambiente escolar ou familiar. Priorizar esses comportamentos faz parte da missão franciscana de construir uma sociedade mais justa, solidária e fraterna.
É por isso que o Colégio Bom Jesus inclui essas reflexões e práticas na rotina escolar por meio da Amorografia, que é a soma de três pilares essenciais: educação de excelência, valores franciscanos e formação socioemocional.
A educação de excelência está ligada a uma proposta pedagógica elaborada com base nas mais atuais metodologias de ensino. Adotamos materiais didáticos e paradidáticos de excelência, desenvolvidos por uma equipe de mais de 100 professores e pesquisadores do Centro de Estudos e Pesquisas (CEP).
Já os valores franciscanos estão relacionados a nossa missão de educar para um mundo de Paz e Bem. Os projetos Virtudes e Atitudes e Tempo Franciscano exercitam na prática os exemplos de São Francisco de Assis. Além disso, desenvolvemos outras ações que fazem parte do Bom Jesus Social, nossa frente de atuação que amplia a conexão do Colégio com as comunidades mais vulneráveis.
Por fim, a formação socioemocional é associada ao nosso Departamento de Saúde Escolar (DSE), que conta com mais de 80 profissionais da saúde, entre pediatras, profissionais de enfermagem, psicólogos e fonoaudiólogos. O Programa de Desenvolvimento de Habilidades Socioemocionais (PDHS), criado pelo DSE, é a materialização do cuidado físico e emocional que temos com os nossos alunos, assim como a promoção de melhores relações entre todos.
Agende uma visita à unidade mais próxima de você para conhecer com mais detalhes o nosso jeito de ser, ensinar e inspirar, que é a Amorografia.
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