
28/05/2026
Em um mundo cada vez mais conectado, o desafio de trocar as telas por olhares e conversas à mesa tornou-se uma missão diária para pais e educadores. Resgatar essas conexões reais é essencial para o desenvolvimento saudável dos nossos pequenos, protegendo os momentos únicos que o digital não consegue substituir.
Neste artigo, sob as orientações do Departamento de Saúde Escolar (DSE), coordenado pelo Dr. José Francisco Klas, vamos explicar os impactos do uso excessivo de telas no desenvolvimento infantojuvenil. Além disso, também ajudaremos você a identificar os sinais de alerta e traremos dicas práticas para equilibrar a rotina digital em casa.
Continue a leitura e entenda a fundo como o nosso jeito de ser, ensinar e inspirar permeia o tema do uso excessivo de telas e como estamos juntos na missão de garantir uma formação integral dos nossos pequenos.
De acordo com o DSE do Colégio Bom Jesus – uma estrutura exclusiva que conta com mais de 90 profissionais dedicados ao bem-estar e à formação socioemocional dos nossos alunos –, o uso excessivo de telas é quando o mundo digital passa a ser o centro da vida da criança ou do adolescente.
Isso acaba deixando em segundo plano o que é essencial para o desenvolvimento humano. Quando o brilho do dispositivo se torna mais atraente do que os relacionamentos presenciais ou substitui o tempo de descanso, de estudo, de alimentação ou os cuidados com a higiene, precisamos ligar o sinal de alerta.
Acreditamos que olhar para esses sinais com amor e atenção é o primeiro passo para resgatar o equilíbrio e garantir que nossos pequenos cresçam com saúde e autonomia no mundo digital.
Falar sobre o uso de telas é, acima de tudo, zelar pelo desenvolvimento de nossas crianças e jovens. Como aliados das famílias nesse cuidado, seguimos as diretrizes da Lei n. 15.100/2025, que restringe o uso de celulares nas escolas para promover um ambiente de aprendizado mais saudável.
No Bom Jesus, recebemos essa orientação como um convite ao uso inteligente da tecnologia. Mais do que uma restrição, nosso objetivo é proteger a saúde física, mental e socioemocional dos alunos.
Para estendermos esse cuidado também para dentro de casa, vamos entender melhor como o excesso de telas impacta cada área do desenvolvimento?
O uso exagerado de telas reflete diretamente no corpo, e o DSE alerta especialmente para os cuidados com a visão e o sono. Focar em telas próximas por tempo prolongado pode gerar dor de cabeça, visão turva e deixar os olhos secos e irritados.
No descanso, o impacto também é grande já que os conteúdos estimulantes mantêm o cérebro em alerta, dificultando o relaxamento. Por fim, a luz emitida por esses aparelhos pode atrapalhar a produção da melatonina, o hormônio do sono, podendo desregular o ciclo circadiano e contribuir para a insônia.
Ou seja, combater o uso excessivo ou prolongado de telas é importante para evitar esses prejuízos.
Outro ponto essencial que o DSE evidencia é o impacto no desenvolvimento socioemocional, um dos pilares da Amorografia.
O Departamento alerta que a interação excessivamente virtual durante a infância e adolescência pode prejudicar o desenvolvimento de competências importantes para o convívio social. Por exemplo, a comunicação predominantemente por texto pode prejudicar a capacidade de interpretar sinais não verbais, dificultando a compreensão de sutilezas emocionais. A interação presencial permite notar sutilezas que o mundo digital esconde, como variações no tom de voz, gestos e microexpressões.
O uso de ferramentas como “bloquear” ou ignorar mensagens reduz a exposição do adolescente a situações de resolução de conflitos, podendo gerar baixa tolerância à frustração e dificuldade em exercer assertividade em situações de desconforto. Estudos mostram que o excesso de conexões digitais, em detrimento de relacionamentos presenciais, pode elevar os níveis de percepção de solidão.
No Bom Jesus, cuidar desse aspecto é garantir que nossos alunos construam laços profundos e naveguem pelo mundo com inteligência emocional e amor ao próximo.
O uso excessivo de telas pode prejudicar o desenvolvimento de funções cerebrais importantes para a aprendizagem das crianças e dos adolescentes.
Quando há consumo exagerado de vídeos curtos como reels, shorts e outros, o cérebro é condicionado à gratificação imediata. Isso pode reduzir a capacidade de foco, de planejamento e o controle de impulsos.
Além disso, a “recompensa fácil” obtida pelo consumo de conteúdos que geram gratificação imediata pode tornar as atividades da vida real, como estudar, praticar esportes ou ler, menos atraentes. Sendo assim, cuidar do tempo de tela e da qualidade do conteúdo consumido é, portanto, um gesto de carinho que protege o desenvolvimento das crianças e dos adolescentes.
Além dos prejuízos mencionados anteriormente, a exposição excessiva a redes sociais pode desencadear, principalmente em meninas, uma condição clínica conhecida como dismorfia corporal, ou seja, uma percepção distorcida da própria imagem ao comparar-se com os padrões editados, e inatingíveis, de beleza promovidos nas redes sociais, fenômeno popularmente conhecido como dismorfia do Snapchat.
Esse processo interfere na construção de uma identidade saudável, pois o jovem pode passar a rejeitar sua aparência real em favor de uma perfeição criada por algoritmos que, na verdade, não existe. Esse sentimento fragiliza a autoestima, por isso o nosso olhar atento e o diálogo em família são tão importantes.
É muito importante identificar os sinais de uso excessivo de telas desde cedo para facilitar a intervenção e proteger a saúde das nossas crianças e adolescentes. A Dra. Nicole Biral Klas, pediatra do DSE do Colégio Bom Jesus, recomenda buscar ajuda profissional quando os sinais abaixo forem identificados:
Sabemos que mudar hábitos não é uma tarefa simples, mas é um caminho que vale a pena trilhar em família. O nosso DSE explica que, para voltarmos a sentir prazer nas “atividades lentas” da vida, como ler um livro, brincar ao ar livre ou conversar sem pressa, o nosso cérebro precisa desenvolver novos hábitos e praticá-los por um tempo até que se reequilibre.
Para ajudar a sua família na redução do uso excessivo de telas, o DSE sugere cinco passos práticos:
Determinar um tempo para o lazer digital e ajudar a criança ou o adolescente a diminuí-lo aos poucos. Promover outras formas de lazer (ex.: leitura, jogos em família, esportes) pode facilitar esse processo.
Incentivar atividades que exijam dedicação e foco antes da recompensa, como aprender a tocar um instrumento, praticar esportes ou até ajudar na culinária. Essas atividades, por gerarem uma sensação de prazer após a dedicação de um tempo e esforço, ajudam a equilibrar o sistema de recompensa cerebral quando ele está acostumado com a gratificação imediata das atividades digitais.
Estimular a prática de pelo menos uma hora de atividade física por dia ajuda a reduzir hormônios relacionados ao estresse e libera substâncias que melhoram o humor e favorecem o aprendizado.
Na hora de fazer as tarefas escolares ou estudar, reforce a importância de manter o celular em outro ambiente e a televisão desligada. Quando há dificuldade na concentração, uma estratégia é dividir o tempo de estudo em curtos períodos intercalados por breves descansos e aumentar, progressivamente, o tempo de cada bloco de estudo.
Estimular as interações presenciais e criar áreas ou períodos livres de tecnologia em casa (ex.: durante as refeições, nos quartos). Além disso, incentivar o adolescente a resolver pequenas situações do cotidiano (ex.: solicitar informações ou fazer pedidos), estimulando a autonomia, desenvolvendo habilidades sociais e fortalecendo os vínculos reais que tanto valorizamos no Bom Jesus.
O Governo Federal lançou um guia com reflexões e dicas sobre o controle do uso das telas. O documento argumenta que o papel dos responsáveis vai muito além de apenas “controlar” o tempo de uso. Aqui no Colégio Bom Jesus, valorizamos muito a participação ativa das famílias no processo educativo e compartilhamos da visão que a cartilha aborda.
Trata-se, portanto, de as famílias exercerem uma mediação baseada no diálogo e no acompanhamento ativo. O guia ressalta que as ferramentas tecnológicas de bloqueio podem ser úteis, mas não substituem a presença e a conversa.
Dessa forma, o papel fundamental dos pais é construir pontes, participando das atividades digitais dos filhos para entender o que eles consomem e ajudá-los a desenvolver habilidades críticas e segurança on-line.
Além disso, o papel da família também envolve uma autocrítica sobre o próprio comportamento digital. O guia mencionado anteriormente enfatiza que os adultos são as principais referências para crianças e adolescentes, e que o uso excessivo de telas pelos cuidadores influencia diretamente os hábitos dos jovens.
Sendo assim, ser um porto seguro significa dar o exemplo e estar atento a sinais de mudanças no humor ou na saúde mental, buscando ajuda quando necessário e mantendo um canal aberto para que os filhos relatem tanto experiências positivas quanto negativas na rede.
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A escola desempenha um papel fundamental ao transformar o uso da tecnologia em uma oportunidade de aprendizado ético e crítico. Aqui no Colégio Bom Jesus, por meio de projetos pedagógicos e do acompanhamento de especialistas do DSE e do CEP (Centro de Estudos e Pesquisas), os alunos são incentivados a refletir sobre suas ações digitais e sobre a qualidade dos conteúdos que consomem, desenvolvendo a responsabilidade necessária para navegar com segurança.
Além das salas de aula, também promovemos debates e dinâmicas que fortaleçam a autonomia e a saúde emocional dos estudantes. Essas iniciativas garantem que o ambiente escolar seja um espaço onde o digital complementa o conhecimento, mas onde a prioridade máxima permanece na riqueza das conexões reais e no convívio presencial.
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De acordo com a doutora Nicole Biral Klas, do Departamento de Saúde Escolar, “não existem evidências científicas de que o uso de telas cause TDAH. No entanto, o excesso de estímulos digitais pode mimetizar os sintomas dessa condição, pois a exposição prolongada a conteúdos que geram recompensa imediata (ex.: jogos, vídeos curtos, “curtidas”) prejudica o desenvolvimento da atenção sustentada e do controle inibitório, o que pode agravar a desatenção e a impulsividade em algumas crianças ou adolescentes, simulando um quadro de déficit de atenção e hiperatividade”.
A doutora Nicole argumenta que as telas não causam o transtorno. O que acontece é que as “crianças, principalmente com menos idade, que passam tempo excessivo em frente às telas, podem apresentar atrasos de fala e dificuldades de interação social que se assemelham a alguns sintomas do transtorno do espectro autista. Essas dificuldades são reversíveis com a redução do uso de telas e estímulos adequados”.
Por fim, a pediatra afirma que, “embora o Estatuto da Criança e do Adolescente seja anterior ao advento das redes sociais, já estabelece o dever de assistência e vigilância por parte dos seus responsáveis. Dessa forma, permitir acesso a conteúdos inadequados nas redes sociais pode ser interpretado como ato de negligência dos familiares. Já o chamado ‘ECA Digital’ busca assegurar a privacidade de crianças e adolescentes no ambiente on-line e combater riscos como o cyberbullying e a exploração digital”.
Ao longo deste artigo, vimos que o cérebro das crianças e dos adolescentes está em formação e o uso excessivo de telas pode prejudicar esse desenvolvimento.
Ao estabelecermos limites com clareza e priorizarmos o diálogo e o olhar atento, estamos oferecendo às nossas crianças a segurança necessária para que elas cresçam com autonomia e saúde. Que possamos, juntos, cultivar espaços de presença, nos quais o encontro e o cuidado sejam sempre a nossa maior conexão.
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