Proposta Pedagógica

25.06.2021

Educação financeira e empreendedorismo se aprendem na escola

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Educação financeira e empreendedorismo se aprendem na escola

O percentual de famílias endividadas no Brasil (com dívidas em atraso ou não) chegou a 66,5% em janeiro deste ano, segundo informações da Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O dado ficou acima das taxas de dezembro de 2020 (66,3%) e de janeiro do ano passado (65,3%).

É certo que a pandemia do novo coronavírus tem relação com a dificuldade do brasileiro de pagar contas, mas há casos em que esses desequilíbrios podem estar ligados à ausência de um planejamento financeiro, ou mesmo à falta de habilidade para lidar com o dinheiro. Como forma de contribuir para a formação integral de seus estudantes e para que se tornem mais conscientes em relação às finanças, o Colégio Bom Jesus conta em sua grade curricular com a disciplina de Educação Financeira, do Ensino Fundamental até o Médio - sendo um tema transversal dentro da Matemática. O objetivo é que as crianças e os adolescentes comecem a entender o valor do dinheiro desde muito cedo, o que pode lhes trazer mais autonomia, equilíbrio nas finanças e na vida de uma maneira geral e até espírito empreendedor no futuro.

A ideia não é a educação financeira por si só, mas sim agregar ao tema discussões sobre sustentabilidade, emprego, cooperativismo, economia, entre outros. “Trabalhamos visando despertar o aluno para a educação financeira, sem o viés da ganância propriamente dito”, comenta Vanessa Pereira, professora e coordenadora de Matemática - Ensino Fundamental do Centro de Estudos e Pesquisas (CEP) do Grupo Educacional Bom Jesus.
O coordenador de Empreendedorismo no CEP do Colégio Bom Jesus, João Nascimento, reforça que os componentes curriculares Educação Financeira e Empreendedorismo são parte do objetivo institucional de proporcionar aos alunos uma formação completa e o desenvolvimento da cidadania.

Temas que levam à formação da cidadania

Nas aulas de Educação Financeira, os alunos do Bom Jesus aprendem sobre consumo consciente, sobre as melhores formas de gastar ou economizar e até como ganhar o seu próprio dinheiro. O conteúdo é distribuído da seguinte maneira:

  • Do 5.º ao 7.º ano do Ensino Fundamental: são trabalhados, por exemplo, o uso adequado do dinheiro, corretoras de valores, formas de pagamento (cartões de débito, crédito, cheques), juros, dívidas, entre outros. Bruno Steinmetz, professor e coordenador de Matemática - Ensino Fundamental do CEP do Grupo Educacional Bom Jesus, diz que percebe uma grande evolução dos seus alunos em resolver problemas financeiros do cotidiano. “Muitos deles já têm contato com as finanças dentro de casa, pois alguns recebem mesada, outros têm conta-poupança e até auxiliam nas compras do mercado. Então criamos situações reflexivas nas aulas para que eles levem as discussões para suas famílias”, explica o professor.
  • Do 8.º e no 9.º anos do Ensino Fundamental: quando os alunos já estão mais maduros, os professores começam a introduzir debates, como os que envolvem inflação e corrupção. “Temos a oportunidade de promover reflexão entre os estudantes, sempre respeitando as opiniões, pois nessa idade eles já acompanham o noticiário, já sabem tudo que está acontecendo”, conta a professora Vanessa.
  • No Ensino Médio: temas como orçamento (gastos da família), consumo, formas de poupar, trabalho (encargos, aposentadoria), sustentabilidade e empreendedorismo também entram em pauta na Educação Financeira. Os debates passam a ser mais frequentes. A professora Bruna Pionteke, coordenadora de Matemática no Ensino Médio, ressalta a importância da educação financeira para a tomada de decisões mais assertivas por parte dos jovens e lembra da multiplicação dessas informações, outro grande objetivo do componente curricular. “Após as aulas, os estudantes passaram a se integrar no processo financeiro de suas famílias, tornando-se multiplicadores, pois a maioria dos adultos não tiveram acesso a esse assunto na Educação Básica”, afirma.

“Nossa proposta é ir evoluindo ano a ano, apresentando ideias novas, iniciando sempre com a parte teórica, e, depois, introduzindo a prática. Tudo é feito de forma lúdica, facilitando os assuntos para o dia a dia do aluno”, complementa Vanessa.

Em todos os anos e séries, os alunos fazem projetos para colocar em prática o que aprenderam. No decorrer do 5.º ano, por exemplo, os estudantes estão produzindo um fôlder com dicas sobre diferentes assuntos, escolhidos por eles, relacionados à educação financeira, como negociação, sustentabilidade, controle financeiro, entre outros. No 7.º, um aplicativo para celular está sendo desenvolvido. “O despertar do lado empreendedor também é um dos objetivos da educação financeira na escola”, diz a professora Vanessa.

Fazendo a diferença na vida dos alunos

No Colégio Bom Jesus Carlos Démia, em Maringá (norte do Paraná), as aulas de Educação Financeira têm sido muito úteis aos estudantes. A aluna Aryane Depieri está no 2.º ano do Ensino Médio e com o pouco que aprendeu na disciplina já consegue ver diferenças no planejamento financeiro no seu dia a dia. Ela acredita que entender sobre finanças desde cedo, e mesmo no Colégio, é extremamente necessário e enriquecedor. “É algo que atinge diretamente a todos nós. E em casa, com a família, muitas vezes não temos tempo de discutir o assunto”, observa ela. Aryane diz ainda que as aulas auxiliam muito nos gastos “desnecessários”, ajudando-a a estabelecer diferenças entre dois verbos: o ‘querer’ e o ‘precisar’. “Agora eu penso mais o que eu devo ou não devo comprar”, diz ela.

Professor de Aryane, Estefano Gustavo Altieri Pereira relata que vê nitidamente a diferença de intenções de seus alunos após o aprendizado sobre educação financeira na sala de aula. “Eles se conscientizam de verdade de que alguns gastos são desnecessários”, comenta.

Como Estefano trabalha com as turmas que estão prestes a fazer vestibular, neste ano os estudantes vão aprender a elaborar um currículo, abordando as relações com o primeiro emprego e encargos sociais, por exemplo. “Os alunos do Bom Jesus têm uma oportunidade única de trabalhar esses conceitos. A gente sente na pele não ter aprendido tudo isso quando éramos crianças”, observa o professor.

O gestor do Colégio, Denis Bosso, ressalta que as crianças que têm educação financeira serão profissionais mais conscientes de seus gastos e vão poder multiplicar esses conhecimentos dentro de suas famílias e no seu entorno como um todo. “Focamos no desenvolvimento dos estudantes, ano a ano, como uma lição de vida mesmo. Queremos educar pessoas conscientes, começando pela questão financeira”, observa.
 

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