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27.04.2026

Uso excessivo de telas: impactos, como identificar e equilibrar

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Criança com tablet representando uso excessivo de tela

Em um mundo cada vez mais conectado, o desafio de trocar as telas por olhares e conversas à mesa tornou-se uma missão diária para pais e educadores. Resgatar essas conexões reais é essencial para o desenvolvimento saudável dos nossos pequenos, protegendo os momentos únicos que o digital não consegue substituir.

Neste artigo, sob as orientações do Departamento de Saúde Escolar (DSE), coordenado pelo Dr. José Francisco Klas, vamos explicar os impactos do uso excessivo de telas no desenvolvimento infantojuvenil. Além disso, também ajudaremos você a identificar os sinais de alerta e traremos dicas práticas para equilibrar a rotina digital em casa.

Continue a leitura e entenda a fundo como o nosso jeito de ser, ensinar e inspirar permeia o tema do uso excessivo de telas e como estamos juntos na missão de garantir uma formação integral dos nossos pequenos. 

O que é considerado uso excessivo de telas?

De acordo com o DSE do Colégio Bom Jesus –  uma estrutura exclusiva que conta com mais de 90 profissionais dedicados ao bem-estar e à formação socioemocional dos nossos alunos –, o uso excessivo de telas é quando o mundo digital passa a ser o centro da vida da criança ou do adolescente.

Isso acaba deixando em segundo plano o que é essencial para o desenvolvimento humano. Quando o brilho do dispositivo se torna mais atraente do que o cuidado com a higiene, alimentação, descanso e estudos, precisamos ligar o sinal de alerta.

Acreditamos que olhar para esses sinais com amor e atenção é o primeiro passo para resgatar o equilíbrio e garantir que nossos pequenos cresçam com saúde e autonomia no mundo digital.

Quais são os impactos do uso excessivo de telas no desenvolvimento?

Falar sobre o uso de telas é, acima de tudo, zelar pelo desenvolvimento de nossas crianças e jovens. Como aliados das famílias nesse cuidado, seguimos as diretrizes da Lei n. 15.100/2025, que restringe o uso de celulares nas escolas para promover um ambiente de aprendizado mais saudável.

No Bom Jesus, recebemos essa orientação como um convite ao uso inteligente da tecnologia. Mais do que uma restrição, nosso objetivo é proteger a saúde física, mental e socioemocional dos alunos. 

Para estendermos esse cuidado também para dentro de casa, vamos entender melhor como o excesso de telas impacta cada área do desenvolvimento?

Impactos do uso excessivo de telas na saúde física

O uso exagerado de telas reflete diretamente no corpo, e o DSE alerta especialmente para os cuidados com a visão e o sono. Ao focarmos demais em telas próximas, o músculo ocular se sobrecarrega, podendo causar a “miopia funcional”, que gera cansaço e dores de cabeça. Além disso, a alta concentração na tela nos faz piscar menos, o que deixa os olhos secos e irritados.

No descanso, o impacto também é grande já que os conteúdos agitados mantêm o cérebro em alerta, impedindo o relaxamento necessário. Por fim, para completar, a luz dos aparelhos atrapalha a produção da melatonina, o hormônio do sono, bagunçando o ritmo natural do corpo. 

Ou seja, zelar por esse equilíbrio é essencial para garantir que as crianças tenham a energia e a saúde que precisam para crescer.

Impactos do uso excessivo de telas no desenvolvimento socioemocional

Outro ponto essencial que o DSE evidencia é o impacto no desenvolvimento socioemocional, um dos pilares da Amorografia. O uso excessivo de telas pode dificultar o aprendizado de competências essenciais para o convívio, já que a interação presencial permite notar sutilezas que o digital esconde, como variações no tom de voz, gestos e microexpressões.

O departamento alerta ainda que a predominância virtual fragiliza a criação de vínculos, podendo resultar em relacionamentos superficiais e maior resistência para lidar com críticas ou desafios da vida adulta.

No Bom Jesus, cuidar desse aspecto é garantir que nossos alunos construam laços profundos e naveguem pelo mundo com inteligência emocional e amor ao próximo.

Impactos do uso excessivo de telas no aprendizado

O aprendizado está diretamente relacionado ao desenvolvimento cerebral, e, como o uso excessivo de telas afeta o cérebro, há prejuízos consideráveis na aprendizagem das crianças e dos adolescentes.

Quando há  consumo exagerado de vídeos curtos como reels, shorts e outros, o cérebro é condicionado à gratificação instantânea. Isso reduz a capacidade de foco, de planejamento e o controle de impulsos, dificultando as conexões neurais necessárias para o conhecimento profundo.

Além disso, a busca por essa “recompensa fácil” vicia os receptores de dopamina, tornando as atividades fora das telas, como estudar ou ler, menos atraentes. Sendo assim, cuidar do tempo de tela é, portanto, um gesto de carinho que protege a concentração e o potencial de cada um.

Impactos do uso excessivo de telas na saúde mental

Todos os impactos mencionados anteriormente são prejudiciais, mas, quando falamos de saúde mental, o uso excessivo das telas pode gerar transtornos graves que trazem riscos à vida e à formação da identidade.

Sobre este tema, o nosso DSE destaca o fenômeno conhecido como “dismorfia do Snapchat”. Ele acontece devido à exposição constante a padrões de beleza editados e ao uso de filtros que promovem uma percepção distorcida da própria imagem.

Esse processo interfere na construção de uma identidade saudável, pois o jovem pode passar a rejeitar sua aparência real em favor de uma perfeição criada por algoritmos que, na verdade, não existem. Esse sentimento fragiliza a autoestima e pode abrir portas para desafios emocionais mais sérios, por isso o nosso olhar atento e o diálogo em família são tão importantes.

Qual é o tempo de tela infantil recomendado por idade?

Determinar o tempo de tela infantil ideal não se trata de impor fórmulas rígidas, mas sim de encontrar um equilíbrio que proteja o desenvolvimento integral de cada fase. As recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) servem como bússolas para guiar as famílias em uma rotina mais saudável.

Sendo assim, confira as referências por faixa etária:

  • De 0 a 2 anos: a recomendação é zero tela. Nesta fase, o cérebro precisa de estímulos sensoriais reais, movimento e interação humana direta para se desenvolver plenamente. A OMS enfatiza que o tempo sedentário diante de aparelhos não é recomendado para bebês.
  • De 2 a 5 anos: o tempo de tela não deve ultrapassar 1 hora por dia. O ideal é que esse contato seja acompanhado por um adulto, priorizando conteúdos educativos que estimulem a conversa e o aprendizado compartilhado.
  • De 6 a 10 anos: a orientação é de que o uso seja limitado a, no máximo, 2 horas por dia. É fundamental que esse período não concorra com o tempo dedicado aos estudos, às atividades físicas e, principalmente, às horas de sono.
  • De 11 a 14 anos: para este grupo, o limite recomendado é de até 3 horas diárias. Como o adolescente tende a usar o ambiente digital como refúgio ou mecanismo de esquiva de conflitos reais, o monitoramento deve ser focado na qualidade do conteúdo e na manutenção das interações presenciais.

Como identificar sinais de uso excessivo de telas?

É muito importante identificar os sinais de uso excessivo de telas desde cedo para facilitar a intervenção e proteger a saúde das nossas crianças e adolescentes. A Dra. Nicole Biral Klas, pediatra do DSE do Colégio Bom Jesus, recomenda buscar ajuda profissional quando os sinais abaixo forem identificados:

  • O uso de redes sociais ou jogos torna-se a atividade central da vida, levando à negligência de atividades fundamentais (ex.: higiene, alimentação, sono e estudos).
  • Necessidade de estímulos cada vez mais intensos e prolongados para atingir o mesmo nível de satisfação.
  • A interrupção do uso gera respostas físicas e emocionais de estresse, como agressividade, taquicardia e sudorese.
  • O ambiente digital passa a ser usado como um mecanismo de fuga para não lidar com conflitos reais, resultando em baixa tolerância à frustração e isolamento social presencial.

Como equilibrar o uso de telas no dia a dia?

Sabemos que mudar hábitos não é uma tarefa simples, mas é um caminho que vale a pena trilhar em família. O nosso DSE explica que, para voltarmos a sentir prazer nas “atividades lentas” da vida, como ler um livro, brincar ao ar livre ou conversar sem pressa, o nosso cérebro precisa de um tempo para se reequilibrar.

Para ajudar a sua família nessa jornada, o DSE sugere cinco passos práticos:

1. Reduzir o uso gradualmente

Determine um tempo para o lazer digital e procure diminuí-lo aos poucos. Um gesto de carinho importante é evitar as telas durante as refeições e pelo menos uma hora antes de dormir, protegendo o sono e a união familiar.

2. Valorizar o esforço antes da recompensa

Incentive atividades que exijam dedicação e foco como aprender a tocar um instrumento, praticar esportes ou até ajudar na culinária, antes do tempo de lazer nas telas. Isso ajuda o cérebro a valorizar a conquista.

3. Praticar atividade física regularmente

Praticar pelo menos uma hora de atividade física por dia ajuda a reduzir o estresse e libera substâncias que protegem o cérebro e melhoram o humor.

4. Treinar o foco nos estudos

Na hora de fazer as tarefas, o ideal é manter o celular em outro ambiente. Usar pequenos blocos de tempo para estudar, com intervalos curtos para descanso, fortalece a concentração.

5. Promover a reabilitação social

Priorize conversar presencialmente e olhar nos olhos. Quando estiver com amigos ou familiares, procure deixar o celular de lado e pratique a escuta atenta, fortalecendo os vínculos reais que tanto valorizamos no Bom Jesus.

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Qual é o papel dos pais no controle do uso de telas?

O Governo Federal lançou um guia com reflexões e dicas sobre o controle do uso das telas. O documento argumenta que o papel dos responsáveis vai muito além de apenas “controlar” o tempo de uso. Aqui no Colégio Bom Jesus, valorizamos muito a participação ativa das famílias no processo educativo e compartilhamos da visão que a cartilha aborda. 

Trata-se, portanto, de as famílias exercerem uma mediação baseada no diálogo e no acompanhamento ativo. O guia ressalta que as ferramentas tecnológicas de bloqueio podem ser úteis, mas não substituem a presença e a conversa. 

Dessa forma, o papel fundamental dos pais é construir pontes, participando das atividades digitais dos filhos para entender o que eles consomem e ajudá-los a desenvolver habilidades críticas e segurança on-line.

Papel dos pais como exemplo de comportamento

Além disso, o papel da família também envolve uma autocrítica sobre o próprio comportamento digital. O guia mencionado anteriormente enfatiza que os adultos são as principais referências para crianças e adolescentes, e que o uso excessivo de telas pelos cuidadores influencia diretamente os hábitos dos jovens.

Sendo assim, ser um porto seguro significa dar o exemplo e estar atento a sinais de mudanças no humor ou na saúde mental, buscando ajuda quando necessário e mantendo um canal aberto para que os filhos relatem tanto experiências positivas quanto negativas na rede. 

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Como a escola pode ajudar no uso saudável da tecnologia?

A escola desempenha um papel fundamental ao transformar o uso da tecnologia em uma oportunidade de aprendizado ético e crítico. Aqui no Colégio Bom Jesus, por meio de projetos pedagógicos e do acompanhamento de especialistas do DSE e do CEP (Centro de Estudos e Pesquisas), os alunos são incentivados a refletir sobre suas ações digitais e sobre a qualidade dos conteúdos que consomem, desenvolvendo a responsabilidade necessária para navegar com segurança.

Além das salas de aula, também promovemos debates e dinâmicas que fortaleçam a autonomia e a saúde emocional dos estudantes. Essas iniciativas garantem que o ambiente escolar seja um espaço onde o digital complementa o conhecimento, mas onde a prioridade máxima permanece na riqueza das conexões reais e no convívio presencial.

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Perguntas frequentes sobre uso excessivo de telas

O excesso de tela pode causar TDAH?

De acordo com a doutora Nicole Biral Klas, do Departamento de Saúde Escolar, “não existem evidências científicas de que o uso de telas cause TDAH. No entanto, o excesso de estímulos digitais pode mimetizar os sintomas dessa condição, pois a exposição prolongada a conteúdos que geram recompensa imediata (ex.: jogos, vídeos curtos, “curtidas”) prejudica o desenvolvimento da  atenção sustentada e do controle inibitório, o que pode agravar a desatenção e a impulsividade em algumas crianças ou adolescentes, simulando um quadro de déficit de atenção e hiperatividade”. 

O excesso de tela pode causar autismo?

A doutora Nicole argumenta que as telas não causam o transtorno. O que acontece é que as “crianças, principalmente com menos idade, que passam tempo excessivo em frente às telas, podem apresentar atrasos de fala e dificuldades de interação social que se assemelham a alguns sintomas do transtorno do espectro autista. Essas dificuldades são reversíveis com a redução do uso de telas e estímulos adequados”.

O que o ECA diz sobre redes sociais?

Por fim, a pediatra afirma que, “embora o  Estatuto da Criança e do Adolescente seja anterior ao advento das redes sociais, já estabelece o dever de assistência e vigilância por parte dos seus responsáveis. Dessa forma, permitir acesso a conteúdos inadequados nas redes sociais pode ser interpretado como ato de negligência dos familiares. Já o chamado ‘ECA Digital’ busca assegurar a privacidade de crianças e adolescentes no ambiente on-line e combater riscos como o cyberbullying e a exploração digital”.

Conectar-se com o que realmente importa: um compromisso de todos nós

Ao longo deste artigo, vimos que o uso consciente das telas protege a saúde física, o aprendizado e o desenvolvimento emocional dos nossos jovens, garantindo que a tecnologia seja uma ferramenta de crescimento, e não um obstáculo. 

Ao estabelecermos limites com clareza e priorizarmos o diálogo e o olhar atento, estamos oferecendo às nossas crianças a segurança necessária para que elas cresçam com autonomia e saúde. Que possamos, juntos, cultivar espaços de presença, nos quais o encontro e o cuidado sejam sempre a nossa maior conexão.


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